sexta-feira, 14 de junho de 2013

Rondon do Pará em poemas!






Segundo o revisor Raimundo Benvindo Silva, protagonista do romance História do cerco de Lisboa, de autoria do escritor português José Saramago, único prêmio Nobel de Literatura, “tudo quanto não for vida, é literatura”, ou seja, a literatura é aquilo, que movido pela imaginação, transforma as imagens num jogo de palavras, que encanta os leitores, e vive eternamente no coração de um povo, muitas vezes, sendo a marca de identidade de uma determinada sociedade. Assim cantou em versos Luiz Vaz de Camões, de forma épica, a saga dos lusitanos nos melhores anos desta nação.

O revisor Raimundo Silva, ainda num diálogo denso e ensaístico que move o primeiro parágrafo do livro acima citado, numa comparação com o discurso histórico, diz que a História também é Literatura, justamente por ser construída em forma de textos, na qual a ficção se mescla ao factual. Logo após, este personagem tomado em cepticismo amargo, refere ser a literatura a primeira de todas as artes, pois, “a música anda a resistir desde que nasceu, ora vai, ora vem, quer livrar-se da palavra, suponho que por inveja, mas regressa sempre à obediência”; e ao ser indagado sobre a pintura, “ora, a pintura não é mais do que literatura feita com pincéis, pois quem não pode escrever pinta”, usando pra isto o poder da imaginação.




Tal rodeio, cumpre, acima de tudo, um delineamento sobre o caráter que assume a literatura, sobretudo, aquela cuja forma se dá em versos, no caso, o poema, nas quais suas linhas são enlameadas de poesia.

E por falar em poesia, e por falar em versos, e poemas, por que não tecer uma fala sobre um projeto artístico original construído em solo rondonparaense. Falo sobre o projeto “Rondon do Pará em poemas” - uma bela iniciativa de jovens artistas de Rondon do Pará, a fim de homenagear a cidade no seu trigésimo primeiro aniversário, convidaram alguns poetas, e dos seus poemas, deram vida aos seus versos com belas interpretações.

Um projeto digno de nota! E quem sabe, um retorno aos bons tempos artísticos e culturais vividos por este povo em décadas passadas, e que, no atual momento, depois de dez longos anos com fome e sede de arte, clamam por todos os orifícios, sejam físicos ou espirituais, por campos mais férteis em relação ao desenvolvimento cultural.

E que assim seja!

Aqui é o meu lugar!

“Sinceramente,
Não sei o que me fez ficar!
Talvez, quem sabe, a primeira água do céu que descera naquele janeiro,
Fazendo subir o cheiro doce de terra molhada,
Senti saudade de brincar no barro, no correr da lama, brincadeira de infância!
Talvez, quem sabe, a cor da relva nas águas do Surubiju, 
Bem distinta das outras em que banhei,
Talvez, quem sabe, o gosto da água de cipó, 
Do canto dos capelões, 
Do murmúrio da onça pintada,
Daquela fria e densa manhã, quando pisei pela primeira vez na mata virgem!
Ao longe, dava pra ouvir o roncar dos caminhões,
Sensação única, singular!
Ou talvez, quem sabe, 
O entrecruzar das vozes, das palavras, dos sotaques primeiros, das bandeiras,
Que se instalaram nesta terra!
Sinceramente,
Não sei bem o que me fez ficar
Só sei que aqui estou, 
E, que aqui, é o meu lugar!”

Autor: Robson Veiga

Interpretação: Angêlica Oliveira

click no link e  visualize o clip no youtube, grato!




Série de 6 vídeos com gravações de atores rondonenses declamando/interpretando poemas de poetas da cidade que versam sobre a cidade em homenagem aos 31° aniversário de Rondon do Pará.

Poetas: Dionísio Almeida, Joseilson Meireles, Juarez Medeiros, Maria Nilza Rafalski, Robson Veiga, Rosa Maria Peres Lima

Atores: André Luiz Oliveira, Angélica Oliveira, Larissa Cifarelli, Márcia Azevedo, Meire Lira, Ricardo D'Almeida.

Produção: Cineclube Boravê e Grupo Teatral Nirvana
Edição: Ricardo D'Almeida
Finalização: Samar Souza e Ricardo D'Almeida
Direção e imagens: Ricardo D'Almeida
Figurino: Grupo Teatral Nirvana
Maquiagem: Meire Lira
Fotografia Still: Larissa Cifarelli, Angélica Oliveria
Músicas: http://audionautix.com (licença cc)

Realizado por Cineclube Boravê e Grupo Teatral Nirvana.
Patrocínio da Prefeitura de Rondon do Pará.

31° Aniversário de Rondon do Pará.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O caráter dialógico nas obras de Maria de Fátima Gonçalves Lima



Em tempos tão difíceis como aqueles, década de 1970, onde tudo era mais estreito, era um prazer viajar no mundo mágico das estórias contadas por minha querida avó, dona Vitalina Fraga, na beirada romântica da lua cheia, ao pé do morro do Ibituruna, às margens do Rio Doce. Ainda sinto o cheiro e o gosto frenético do jenipapo de Minas, quando relembro daqueles doces e significantes instantes.

Assim, reuniam-se todos os netos, em forma de círculo, ao pé da mangueira, e sempre havia um que dizia, “vó, conta pra gente aquela estória”, e vovó dizia, “mas de novo, aquela estória?”. Aí, tome estórias, de Lobisomem a Mula-sem-cabeça, e outros personagens lendários, sempre mesclados com personagens reais do tempo de minha avó, tendo no bojo do enredo, o estatuto do gênero maravilhoso, que se fazia presente na oralidade das palavras e nas gesticulações que minha avó criava.  E ela sempre jurava ao chegar o fim de cada estória que era tudo verdade, pois ela vira tudo aquilo com os seus próprios olhos, ou às vezes com os olhos da sua própria mãe, e nós, como toda criança, inocentes, acreditávamos piamente em cada signo, pois ao dormir, era difícil não abrir os olhos e verem bem de perto todas aquelas criaturas.

E foi lendo, nesta semana, as obras que compõem a escritura da literatura infantil de Maria de Fátima Gonçalves Dias, entre outras, O castelo da Branca de Neve, Os cabelos de Rebeca, O bezerro e a rainha, A pedra furada, A sopa de pedras e A sopa de Viaro, que cheguei a lembrar desses doces e prazerosos momentos do passado. Momentos raros na contemporaneidade, previstos pelo alemão Walter Benjamim, no seu aclamado ensaio “O narrador”, cuja modernidade estaria contribuindo para o fim da narrativa oral, por não saber mais o homem, intercambiar suas experiências em forma de narrativas. E claramente, nos dias de hoje, dá pra notar o quanto a figura mítica da avó, metaforizada por Monteiro Lobato na obra Sítio do Picapau Amarelo, pela figura de Dona Benta, contadora de estórias, já não faz mais parte deste mundo.



Por assim dizer, os contos infantis de Maria de Fátima Gonçalves Dias, que além de professora é crítica literária, seriam um resgate dos contos infantis da tradição oral, através das lembranças da figura de sua avó, como faz menção a própria autora na contracapa do livro, que “para realizar este trabalho busquei minhas reminiscências de criança, quando minha avó Maroca contava cantando essas histórias”, recriando, tais contos, numa atualização discursiva que chama a atenção do leitor, à procura de extrair o sentido da obra numa relação dialógica com o texto no ato da leitura, sendo, até então, um coautor da obra de arte ao contribui na produção de sentidos no ato da recepção do texto, como teorizava os críticos literários Jaus e Iser, sobre a teoria e o efeito da recepção estética da obra de arte.

 Segundo a pesquisadora paraense, Cirlene da Silva Andrade, Mestre em Literatura e Crítica Literária, em seu aclamado ensaio Dialogismo e recepção estética na obra de Maria de Fátima Gonçalves Dias, a linguagem apresentada pela autora nos contos, funde o tradicional dos contos populares a uma nova postura estética, num diálogo permanente com a literatura oral, a mitologia grega e passagens bíblicas, cujo leitor, é levado ao “desvendamento das metáforas analógicas, dos símbolos metafóricos e da construção do maravilhoso, e ainda a identificação da referência ao mito”, através do ato da leitura, atribuindo sentido na obra de arte literária, por onde a significação encontra-se na junção, entre a linguagem verbal e a imagética, presente nestas obras.


Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Vai, menina, ser-gauche-na-vida!




Vai, menina, ser-gauche-na-vida!



Numa tarde dessas, em que a chuva pede pra cair, mas o sol soberanamente lhe ordena a ficar, deixe-me deleitar nas curtas linhas do pequeno livro Oficina de leitura, da pesquisadora, tradutora e crítica literária Rosemary Arrojo, adepta fiel da consagrada concepção denominada de "Desconstrução", surgida ainda na década de 1960, através da pena do francês Jacques Derrida.

Ao me deparar com a entrada do capítulo 6, denominado de “Exercícios de tradução”, me detive longamente na releitura dos versos do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade – Poema de sete faces, numa análise minuciosa, apresentada por Arrojo, ao comparar o texto original com a tradução em língua inglesa, da poetisa norte-americana Elizabeth Bishop – Seven-sided poem, após, é claro, o ato de leitura e interpretação da própria Rosemary Arrojo, estabelecendo assim, as diferenças de significado que a mesma fizera da leitura do original em referência à leitura sugerida pelo texto traduzido.

Até aí, tudo bem, deu pra perceber que o processo de tradução de um texto poético, seguindo a linha da corrente contestadora, se origina após o processo de leitura e interpretação, numa perspectiva que delineia o leitor como coprodutor de significados, pois, segundo Arrojo, “ler um poema significa aceitar um convite implícito à criação”, cujo texto, por não ser pronto e acabado,  é uma obra aberta aos olhos do receptor.



De repente, entre o original, produzido por Drummond, o trabalho de leitura e interpretação de Arrojo, bem como, a tradução de Bishop, busquei na feira do tempo, conscientemente, a figura ímpar da educadora paraense Simone Bahia, como sendo o reflexo da simbologia do “ser-gauche-na-vida”, segunda a interpretação de Arrojo, na qual significaria “não ser como os demais, ou pensar como os demais”, mas por ter uma atitude ímpar, singular, entre muitos, e por dizer aberto em sua ética profissional, tatuado em seu espírito uma postura crítica, um dos mais belos versos da musicalidade brasileira – “Não sou escravo de ninguém, Ninguém senhor dos meus domínios”, como pregava Renato Russo, “porque repetir o mundo, ou rimar com ele, não é uma solução”, utilizando aqui, as palavras de Arrojo.




No caso da professora Simone Bahia, um verdadeiro “metal contra as nuvens”, seguindo a linha poética do líder da Legião Urbana, o sistema resolveu lhe castigar por ser-gauche-na-vida, e por não ser um Raimundo a rimar, exonerando-a do cargo de coordenadora pedagógica à professora das séries iniciais. Uma prova viva de que ainda precisamos democratizar a democracia, como bem afirmou a ex-senadora Marina Silva, principalmente em se tratando da rede pública de ensino, cujo princípio básico deveria no abrir das tuas portas, incentivar o hábito da fala crítica dos sujeitos que produzem o processo de ensino-aprendizagem, a fim de que os estudantes possam tê-los como modelos a serem observados como elementos atuantes em prol do desenvolvimento social e cultural.

Afinal, em termos de educação, é melhor ser-gauche-na-vida, correr perigos e correr mundos, do que ficar a viver feito muitos Raimundos, num trabalho que só os papagaios nasceram para tal fim: a repetição do repetível, assentada em versos como estes do Maluco Beleza, “É você olhar no espelho, Se sentir um grandessíssimo idiota, Saber que é humano, ridículo, limitado, Que só usa dez por cento de sua, Cabeça animal”.


Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Borges, a poesia como paixão e prazer!


Especial ao Jornal Opção,
Goiânia

Borges – a poesia como paixão e prazer!

No livro de ensaios “Esse ofício do verso”,
Borges relata todo seu amor pela magia da palavra



Num tom confessional, admitindo ser um pensador levado a timidez, apenas utilizando como ferramenta a memória, o escritor argentino Jorge Luis Borges, convidado como fora com todas as honras pela Universidade de Harvard nos anos de 67 e 68, no auge dos seus sessenta e sete anos, proferiu neste período seis palestras a estudantes americanos do Curso de Letras, com o objetivo de delinear oralmente, todo seu amor pela palavra - seja como leitor, ou como escritor, abrindo o leque das possibilidades que só o verso é capaz, depois que chega às mãos e aos olhos do leitor, num fruir de sentimentos adotados por Borges, como “uma paixão e um prazer”: a simples definição de poesia.

Antes, confinadas num cofre da biblioteca da referida universidade americana, as seis palestras, proferidas na língua inglesa, foram transcritas via fita, para as páginas impressas em 2000, num pequeno livro chamado “Esse ofício do verso” – This craft of verse - chegando ao Brasil no mesmo ano pela Editora Companhia das Letras, mediante acordo com a Harvad University Press, sendo organizadas pelo professor de Língua e Literatura Moderna da Universidade Western de Ontario, Calin-Andrei Mihailescu, e traduzidas em forma de ensaio, por José Marcos Macedo, contendo 159 páginas dedicadas à poesia – dialogando com autores e textos, de tempos remotos ao moderno, passando por Homero, Cervantes e Joyce, entre outros, sempre recorrendo à memória, ao invés das notas, pois o amarelo já havia lhe tomado as feições das suas pupilas.

O autor de Ficções - poeta, contista, tradutor, crítico e ensaísta, faz, neste livro, um vai e vem no mundo da poesia, destacando tanto poetas conhecidos, assim como alguns poetas não tão conhecidos, ou até esquecidos, delineando temas relacionados ao fazer poético, tais como, o enigma da poesia, a metáfora, a musicalidade da palavra, a possibilidade ou não da tradução poética, o narrar de uma história, bem como, o crer de um poeta, este último, ao falar de si, tanto quanto escritor, tanto quanto leitor voraz que fora - desde a infância em Bueno Aires, quando ouvia de seu pai, num verdadeiro frêmito, o lampejo e o trovoar dos versos de John Keats, experiência que “acontecia não com meu simples intelecto, mas com todo meu ser, minha carne e meu sangue”, e isso para Borges era poesia, algo que ele não poderia definir em palavras, mas sabia onde encontrá-la, pois, “ela está logo ali, à espreita”. Sendo a vida para Borges, feita de poesia, podendo surgir entre nós, a qualquer momento.

Borges deixa claro aos leitores deste livro, que entre ler, analisar e escrever, atos revelados por amor à palavra durante toda sua vida, que o desfrutar era o mais importante para ele - o sorver a poesia, através da sugestão que insinua o verso, não tendo em si, o enigma da construção dos versos a revelar a ninguém, apenas dúvidas a oferecer; somente perplexidades consagradas pelo tempo, e que a poesia embutida por trás das palavras podem saltar para vida, ressuscitando os mortos quando as páginas de um livro são abertas pelo leitor certo, pelo contato, pois para ele, o livro não passa de um objeto físico como tantos outros, porém, o conjunto de símbolos mortos presentes em cada exemplar, as palavras, podem ganhar vida em contato com o leitor, e quando a poesia chega, “sente-se o seu toque, aquela comichão própria da poesia”.



Ao falar da metáfora, uma das razões da existência do verso, Borges exemplifica o tema admitindo a existência de uma dúzia de modelos em torno de centenas ou milhares de projeções metafóricas, “mas isso não precisa nos preocupar, já que cada metáfora é diferente”, não precisando o leitor ter tanta preocupação quanto ao fato, pois, “o importante sobre a metáfora, eu diria, é ser sentida pelo leitor ou pelo ouvinte como uma metáfora”, utilizando a imaginação, indiferentemente do pensamento lógico, que utiliza argumentos – já em poesia, a insinuação, o sugerir através das palavras, pois essas, para Borges, já nasceram poéticas.

“Esse ofício do verso” é aquele típico livro que deve habitar as estantes de todos aqueles que são amantes da arte poética – amantes da poesia, da magia das palavras, da musicalidade dos versos. Pois, nele encontramos, surgindo na alma do poeta, toda paixão e reverência que nos faz acreditar, que por incrível que pareça, ainda em tempos pós-moderno, somos levados a crer que o homem, mais do que tudo, ainda precisa de poesia.

Profº. Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária PUC Goiás

sábado, 29 de setembro de 2012

De "vândalos" a Educadores!!!



Educação é tudo, este é o lema a partir de agora em Rondon do Pará, 
através da mudança das práticas discursivas e governamentais. 


Nos últimos doze anos, os educadores de Rondon do Pará caminharam por duas estradas opostas, excessivamente diferentes, notoriamente distintas. 

Na primeira estrada, a mais longa, durando exatamente uma década - foi marcada por um regime excessivo de greves, praticamente uma por ano, devido a relação não amistosa que evidenciou a gestão municipal com relação ao  sindicato dos profissionais de educação. Um período de abuso de poder, repressão, ditadura e desrespeito e descaso com a educação. 


(luto)




A segunda estrada, trilhada apenas neste últimos dois anos, várias ações marcaram por parte da gestão pública municipal a diferença acima citada, entre muitas, podemos destacar a aprovação do plano de carreira, uma luta incansável do sindicato por mais de  uma década, os reajustes salariais sem a necessidade de paralisação, os abonos salariais, reformas e construção de escolas municipais e estaduais. 


(respeito - alegria)




É inegável a diferença entre os dois modos de governar, em relação às práticas de ontem em relação as de hoje, e não é difícil fazer tal comparação, basta em primeiro lugar "reparar", algo que o escritor lusitano José Saramago deixou bem claro em sua escritura, 




"houve um tempo em que a educação era tratada com descaso e desrespeito,

um tempo que durou dez longos anos, intermináveis, abomináveis, intragáveis,

um tempo por onde a palavra greve era notória,

uma dia elas tomaram e invadiram, com bandeiras e faixas, gritos de guerra,

a própria secretaria de educação,

formou-se um cerco, e quem era sitiante ficou sitiado,

um dia elas se vestiram de luto e caminharam pelas ruas da cidade,

tudo que pediam era justiça, e ela tardava em chegar,

uma dia elas foram para praça da paz e fizeram uma guerra em 'urros e vaias',

foram denominadas de 'vândalos' aos olhos de milhares de almas,

tudo que elas queriam era tudo que tinham a ter por direito:

nada mais do que o repasse salarial, o abono salarial,

o plano de carreira que era um sonho antigo a se tornar pesadelo,

pra falar a verdade nunca houve uma greve

se quer em relação ao bem-estar dos estudantes,

como por exemplo, uma reforma decente, uma sala climatizada,

porém, apesar de certos olhares não 'repararem',

pois pão comido é esquecido,

nunca mais houve greve,

e é lógico que não houve promessa a santos e santas,

bem como, o lobo não virara cordeirinho da noite pro dia,

o que houve fora apenas uma 'mudança' de certas práticas governamentais,

e nem o almuadem seria capaz de não reparar,

quanto mais aquele que apanhou durante uma década,

sem dó e sem piedade"



Os educadores de Rondon do Pará comeram o pão que o diabo amassou durante dez longos anos, e alinda tem uns gatos pingados, cerca de meia dúzia, que ainda estão sentindo saudade deste tempo de luto, descaso e desrespeito à própria educação, por isso não é hora de retroceder!




obs: aos profissionais de educação de rondon do pará, há duas estradas, uma é o retorno ao regime de greves, e o outro nós já conhecemos em tão pouco tempo, e caso esteja com saudade daqueles "belos e graciosos tempos", fique à vontade, mas só não venha levantar bandeiras e se vestir de luto pelas ruas da cidade, seria uma piada sem graça!


Agora em Rondon do Pará, até as salas de aula estão climatizadas, 
algo que seria impensável, improvável, impossível no passado!

Por isso, não podemos retroceder, antes, caminhar, seguir em frente, pois dias melhores virão!











domingo, 23 de setembro de 2012

XVI Feira Pan-Amazônica do Livro!




XVI Feira Pan-Amazônica do Livro!


Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um boing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda da pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa!



Durante toda esta semana, precisamente do dia 21 a 30 deste mês, a cidade das mangueiras estará recebendo de bem com a vida, em paz com o mundo, e com muita vontade em ser feliz - de braços abertos, todos os amantes da literatura, no Hangar – Centro de Convenções Benedito Monteiro, onde ocorrerá o maior evento cultural do norte do país, a XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, a quarta maior feira de livros do Brasil, mostrando ao mundo que nem só de carimbo vive o homem da Amazônia, especificamente, o ser de Belém do Pará, estando apta a receber durante uma semana de arte e cultura cerca de quinhentas mil pessoas.

Nesta edição, a terra de Nilson Chaves, Lucinha Bastos e Mahrco Monteiro, irá homenagear os escritores lusitanos, e toda riqueza estética oriunda das ameias de Saramago, Pessoa, Eça e Camões, cuja presença se fará através Lídia Jorge, Gonçalo Tavares e José Luis Peixoto, bem como, o lançamento do livro Convite à navegação – uma conversa sobre literatura portuguesa, da pesquisadora Susana ventura. Aos amantes da sete arte, presença marcante de diretores cinematográficos portugueses na Mostra de Cinema Português Contemporâneo, entre outros eventos artísticos através da comunidade lusitana, tais como, o guitarrista português Antonio Chainho, um dos mais conceituados músicos lusitanos.





A poética de Ruy Barata, um dos grandes poetas da Amazônia, abrirá espaço a grandes nomes da literatura brasileira, tais como, Ariano Suassuna, Martha Medeiros, Luis Fernando Veríssimo, Joca Terron e Paulo Sérgio Valle, uma verdadeira viagem ao mundo mágico das letras. Aos visitantes, haverá debates com escritores e críticos, seminários, oficinas literárias, leituras do vestibular, palestras, workshops, saraus, gincana literária, concurso de redação e shows culturais, não esquecendo, é claro, dos centenários dos escritores brasileiros Nelson Rodrigues e Eidorfe Moreira.

Então, fica o convite aos amantes das letras – “Vou te levar pra conhecer Belém, Sei que tu vais apaixonar também,Vou te levar pra conhecer o Ver-o-Peso, amor!”, pois, “Belém é assim, é tudo de bom e um pouco mais, mas este mais é você quem faz”, tomando muito cuidado com aquela máxima da Baía do Guajará, em que, “Chegou no Pará, parou! Tomou açaí, ficou”, mas se quiser ficar não tem problema nenhum, o Círio está logo ali, e a mãe de todos os paraenses, Maria de Nazaré, estará pronta a receber todos os visitantes de todos os cantos e recantos.


Profº. Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária PUC Goiás


Feira Pan-Amazônica do Livro 2012
Local: Hangar
Data: 21/09/2012 até 30/09/2012
Hora: 10h

sábado, 22 de setembro de 2012

XVI Feira Pan-Amazônica do Livro!



XVI Feira Pan-Amazônica do Livro!


Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um boing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda da pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa!



Durante toda esta semana, precisamente do dia 21 a 30 deste mês, a cidade das mangueiras estará recebendo de bem com a vida, em paz com o mundo, e com muita vontade em ser feliz - de braços abertos, todos os amantes da literatura, no Hangar – Centro de Convenções Benedito Monteiro, onde ocorrerá o maior evento cultural do norte do país, a XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, a quarta maior feira de livros do Brasil, mostrando ao mundo que nem só de carimbo vive o homem da Amazônia, especificamente, o ser de Belém do Pará, estando apta a receber durante uma semana de arte e cultura cerca de quinhentas mil pessoas.

Nesta edição, a terra de Nilson Chaves, Lucinha Bastos e Mahrco Monteiro, irá homenagear os escritores lusitanos, e toda riqueza estética oriunda das ameias de Saramago, Pessoa, Eça e Camões, cuja presença se fará através Lídia Jorge, Gonçalo Tavares e José Luis Peixoto, bem como, o lançamento do livro Convite à navegação – uma conversa sobre literatura portuguesa, da pesquisadora Susana ventura. Aos amantes da sete arte, presença marcante de diretores cinematográficos portugueses na Mostra de Cinema Português Contemporâneo, entre outros eventos artísticos através da comunidade lusitana, tais como, o guitarrista português Antonio Chainho, um dos mais conceituados músicos lusitanos.




A poética de Ruy Barata, um dos grandes poetas da Amazônia, abrirá espaço a grandes nomes da literatura brasileira, tais como, Ariano Suassuna, Martha Medeiros, Luis Fernando Veríssimo, Joca Terron e Paulo Sérgio Valle, uma verdadeira viagem ao mundo mágico das letras. Aos visitantes, haverá debates com escritores e críticos, seminários, oficinas literárias, leituras do vestibular, palestras, workshops, saraus, gincana literária, concurso de redação e shows culturais, não esquecendo, é claro, dos centenários dos escritores brasileiros Nelson Rodrigues e Eidorfe Moreira.

Então, fica o convite aos amantes das letras – “Vou te levar pra conhecer Belém, Sei que tu vais apaixonar também,Vou te levar pra conhecer o Ver-o-Peso, amor!”, pois, “Belém é assim, é tudo de bom e um pouco mais, mas este mais é você quem faz”, tomando muito cuidado com aquela máxima da Baía do Guajará, em que, “Chegou no Pará, parou! Tomou açaí, ficou”, mas se quiser ficar não tem problema nenhum, o Círio está logo ali, e a mãe de todos os paraenses, Maria de Nazaré, estará pronta a receber todos os visitantes de todos os cantos e recantos.


Profº. Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária PUC Goiás



Feira Pan-Amazônica do Livro 2012
Local: Hangar
Data: 21/09/2012 até 30/09/2012
Hora: 10h





Belém é assim...

Belém é assim,
aquela vontade danada
de pescar uma prosa no Ver o Peso
enquanto é manhã e ela não vem...
uma vontade boba de falar com as mangueiras da Nazaré
de namorar gostoso na Batista Campos
enquanto é manhã e ela não vem...
de pegar um coletivo de bobeira
só pra ver da janela a maninha passar
e o vai e vem das cuias de tacacás
enquanto é manhã e ela não vem...
de ouvir Lucinha, Chaves e Tapajós
no beral das Docas
ou bebendo mansamente açaí
com as palavras doces de barata, Paes Loureiro,
Belém é assim
depois das quatro ela vem
e vem gostoso e molhando tudo
quem sabe até abençoando
então, deixa molhar...
pois, Belém é assim,
é tudo de bom e um pouco mais,
mas este mais é você quem faz...

Robson Veiga