domingo, 13 de julho de 2014

Trocando figurinhas numa manhã fria de domingo


Como diria Raul, o maluco beleza, domingo é dia de missa, praia e céu de anil. E quando estou em Goiânia, como nestas férias de inverno, sigo os passos do alagoano Djavan, ‘um dia frio, um bom lugar pra ler um livro’, e neste caso, nada melhor que a Praça Tamandaré, com suas cores, a musicalidade dos pássaros, o andar maneiro e poético dos passantes, o cheiro da relva.




Pois bem, chegando lá, após a leitura do jornal Diário da Manhã, é claro, vem a releitura do romance Manual de Pintura e Caligrafia, o primeiro do único Prêmio Nobel de Literatura em Língua Portuguesa, José Saramago, em sua segunda fase como romancista, autor dos clássicos Memorial do Convento e O ano da morte de Ricardo Reis, bem como, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e O Ensaio sobre a Cegueira.

Enquanto ainda estou viajando pelo primeiro capítulo do livro em questão, a dez passos de mim um grupo de pessoas trocam figurinhas, na qual um diz, Eu tenho Messi, e outro replica, mas eu tenho Müller. Todas tem em mãos o álbum da Copa 2014, e ali, conferem o que falta ainda para completar o dito instrumento, trocando as figurinhas repetidas, ou às vezes, comprando aquelas mais distintas, mais nobres, mais singulares, tais quais os livros saramaguianos.

Isso me faz viajar no tempo. Recordo-me um pouco da minha infância nas manhãs de domingo em época de copa do mundo em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, na qual, nós adolescentes, sentávamos na calçada a fim de trocarmos figurinhas, e muitas vezes, era de forma do bate-bate, tentando virar todas as figuras numa só jogadas com a palma da mão encontrando-se fervorosamente com o solo.

E com o livro aberto, observo ao longe aquela turma. Não são apenas crianças: meninos e meninas; porém, são gerações que se encontram em torno da banca de revista, pois lá estão pais e filhos e avôs, numa cena rica e bela de ser ver, como no escrito do personagem H, do livro em questão, ao relatar que ‘a vida é extremamente simples’, e que ‘a ficção tem coisas boas: prova que as decisões do espírito e da vontade transcendem as circunstâncias’.

E assim vou levando a manhã de domingo, entre uma leitura, que em certos momentos dialoga com a vida real, levando-me num passado distante, concentrando-me antes da grande final no Maracanã entre argentinos e alemães, na melhor de três. E que vença o melhor!
Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária PUC Goiás 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Papa é Pop; o Pop não poupa ninguém! - 28º dia de copa;

28º dia de copa;


“Uma coisa é certa: se Deus é brasileiro, como sempre temos pregado nas páginas da nossa história cotidiana e mundana; o Papa é pop!




Você sabia que já tem seleção pleiteando a camisa rubro-negra pra jogar a próxima copa? Há quem diga que o manto sagrado da maior torcida do Brasil contribuiu a fim de impulsionar as veias dos alemães, agigantando o placar de sete. Coisa de flamenguista. Não eu, mas o vizinho do lado direito, do esquerdo, de cima, de baixo, e por aí vai!

Pra quem segue as nossas postagens desde o primeiro dia, sabe que em nossos escritos ficou bem claro que nós não tínhamos uma seleção em campo capaz de dignificar a história do futebol brasileiro – sempre foi dito que não havia um esquema tático em campo, mas simplesmente um amontoado de canarinhos. Não deu outra: sete a zero foi o placar quando enfrentou uma seleção bem armada, bem treinada e bem definida naquilo que desejava. E viva a Bahia, terra de Caymmi, terra da alegria, terra de Klose, Khedira, Müller, e outros bichos mais da terra do salsichão.

O que mais o argentino quer no momento é que a torcida brasileira que irá comparecer ao Maracanã, dia 13, torça para Alemanha. Afinal, torcida brasileira é como Mick Jagger nesta copa: pra onde vai, o barco afunda. Particularmente, irei torcer para os nossos hermanos, é claro, embora tenho que admitir que sou fã do brilhante futebol alemão praticado nesta copa. De tudo, que seja um belo jogo de futebol no domingo, e que vença o melhor!

Agora, será que a dona Dilma irá realmente entregar a taça depois dos sete? Melhor que ela fique em Brasília, depois não vai dizer que eu não avisei – sabe de nada não! Apesar de que, caso eu estivesse no Maracanã, observando nossa presidenta entregar a taça ao capitão da seleção campeã, iria aplaudir, independente de não votar nos camisas vermelhas, pois, creio, que por educação, devemos respeitar um momento como este, feito homens que somos, e não como orelhudos comedores de milho e capim.

No mais, não podemos esquecer, o Papa é pop, e o pop não poupa ninguém, nem mesmo a nona sinfonia de Beethoven, será?

Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Imagine na copa! - 20º dia de copa;

20º dia de copa;


“Ontem fiquei pensando cá com os meus botões: já pensou o coitado do professor que recebe uma sala entupida de meninos e meninas advindos de quarenta lares diversificados, muitas vezes sem pais, morando com avós, irmãos, tios, cada um com a sua peculiaridade, com seus trejeitos, e o pobre do professor, durante quatro horas diárias tem que dá conta, além das tarefas pedagógicas, tem que atuar como um grande psicólogo pra equilibrar as diversas situações. Agora, imagine na copa, todos aqueles marmanjos da seleção canarinho, ganhando fortunas, e que depois de toda aquela choradeira no Mineirão, hão de receber uma especialista na área da ciência do espírito pra aguentar o tranco. E há quem diga que a labutação diária do professor é moleza, com giz, saliva, e a contas a pagar, e nadica de nada do tal psicólogo – nem o cheiro sequer. Sabe de nada não!




 Agora, vamos à copa! Pelo jeito, como os jogos foram disputados nestas oitavas de final, parece que não há mais ninguém bobo em matéria de futebol. Foram jogos duríssimos, apertados, emocionantes. O Brasil suou pra levar nos pênaltis; a Alemanha levou um calor danado e quase fica no meio do caminho; a Argentina, se na tivesse o Messi, não chegaria a lugar nenhum; a Bélgica, apontada antes como a grande surpresa da copa, levou um sufoco dos meninos do Tio Sam.

E por falar nos States,  a cada jogo dos Estados Unidos nesta copa, a torcida bate novos recordes de audiência em matéria de futebol, ultrapassando inclusive a final do Basquete. Que coisa, hein!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


terça-feira, 1 de julho de 2014

Uma manhã plena de significados!

Uma manhã plena de significados


Dos duzentos milhões de brasileiros, quantos ainda são analfabetos, ou seja, nunca pisaram num banco escolar, nunca tiveram o privilégio de descobrir o mundo mágico e fascinante das letras? Ou quantos ainda são analfabetos funcionais, ou seja, já sentaram num banco de escola, porém, não conseguem ler e interpretar, sequer, uma bula de remédio, ou até, uma breve receita de bolo, e às vezes, nem mesmo, conseguem escrever um simples bilhete, ou navegar por um verso de Drummond, pelo sertão de Rosa, ou pela alma recolhida de Clarice?

Assim, começou o pronunciamento da Profª. Milca Severino Pereira – Pró-Reitora de Pós- Graduação e Pesquisa da PUC Goiás, numa solenidade realizada no plenário da reitoria desta renomada instituição, na manhã da última quinta-feira, com a finalidade de entregar os diplomas dos novos mestres e doutores, cujas palavras, correram em paralelo aos versos do uruguaio Mario Benedetti, quando este escrevera, “não desistas que a vida é isso: continuar a viagem, perseguir teus sonhos, destravar o tempo, correr os escombros, e destapar o céu".




Por não se estender a todos os brasileiros, ou melhor, por ficar apenas numa pequena parcela destes, é que a Profª. Milca Severino Pereira tocou na palavra privilégio. Não no sentido pejorativo, segundo a ela, porém, um privilégio com aspas, sobretudo, devido às circunstâncias na qual aqueles que ali estavam foram levados a estar. Um privilégio a duras penas. Um privilégio gerado e movido, por forças muitas vezes tiradas donde nem sabemos como chegam, cujas linhas, trabalhadas por leituras e releituras, escritas e reescritas, só estão no ponto alfa.




Entre os variados momentos produzidos na breve solenidade, um instante me chamou a atenção: além das nobres palavras de incentivo, cativou-me o modo como a Profª. Milca Severino Pereira olhava nos olhos de cada um dos novos mestres e doutores; como se estivesse a falar com a alma de um poeta – cuja voz doce e meiga, estampava no rosto um sorriso pleno de significações; como estivesse a dizer: parabéns, você encontrou a outra margem do rio; agora, siga adiante, pois a caminhada é longa e o trote é curto, em breves passadas mansas à procura do mar.




Depois deste breve, porém, significativo encontro, não há como depositar o diploma de mestre ou doutor numa moldura certificada duma parede lisa. É hora de correr mundos e fundos por intermédio das linhas tortuosas e enigmáticas que nos levam ao conhecimento, pois, como bem escrevera Guimarães Rosa, “a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e depois afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer agora da gente é coragem”, e põe coragem nisso, meu caro Rosa.






Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária PUC Goiás

Como legado, um abraço fraterno entre flamenguista e vascaíno no Maracanã! - 19º dia de copa;

19º dia de copa;





“Uma das indagações que sempre pinta na mídia esportiva logo quando o Brasil é eleito a realizar um grande evento como este, a copa do mundo, é em relação ao legado – qual será o legado que esta copa deixará ao povo brasileiro? Poderíamos dizer, sem medo de errar, que vários são os legados que teremos após o apito final no Maracanã, dia 13 de julho. Um deles é o comportamento racional que os torcedores deverão apresentar em nossas arenas esportivas nos devidos campeonatos regionais. Como belo exemplo, visto em todas as partidas até agora, podemos crer que corinthiano e o palmeirense podem sentar um junto do outro, numa convivência pacífica, sem que um tenha que matar o outro, como estávamos acostumados a notabilizar; assim também, poderemos observar atleticanos e cruzeirenses; vascaínos e flamenguistas; colorados e gremistas. Este é um belo legado que esta copa poderá nos deixar: um torcedor pode sentar ao lado de outro contrário em paixões, sem que o primeiro tenha que mutilar o segundo. Será?

Quase ninguém está dando o devido valor à França de Victor Hugo, porém, os blues estão de grão em grão subindo os degraus – desta feita foram os nigerianos a cair em Brasília, e como os alemães passaram pelos argelinos em Porto Alegre, teremos um grande clássico nesta sexta, e quem ganhar, caso a família Scolari passe pela Colômbia, teremos uma pedreira na semifinal.

E o Felipão, hein! Depois que a dona Dilma convidou a mídia esportiva brasileira a tomar um chá em Brasília, solicitando à imprensa que não falasse em greves e protestos na época da copa, agora foi a vez do carrancudo técnico da seleção brasileira, pedindo ajuda aos jornalistas a fim de que os mesmos não critiquem os canarinhos. Reitero: o que falta na seleção é apenas uma coisa, e bem simples – falta um esquema tático em campo, e não um amontoado de meninos trajados de amarelo com cara de chorões, esperando que o Fred simule novamente uma falta dentro da área, ou que o Neymar possa driblar um, dois e três, após um chutão dos zagueiros. Isso é muito pouco pra quem viu muito mais!



Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária



Costa Rica, uma pedra no meio do caminho! - 18º dia de copa;

18º dia de copa;


“Tinha uma pedra no meio do caminho do Uruguai, da Itália e da Inglaterra. Essa pedra continuou rolando ladeira abaixo, e desta vez quem a encontrou foi a Grécia. Estamos falando da Costa Rica, que acaba de se classifica para as quartas de final, mas como o próprio nome está a dizer, esta é uma costa diferente das demais, pois ela é rica, tendo pela frente no próximo jogo a laranja mecânica do craque Arjen Robben, o melhor da copa até agora, este que despachou os mexicanos. Vamos vê no que dá!




Inusitado mesmo é acompanhar a audição do jogo de futebol praticado pelos gregos: o goleiro rola a pelota para Torosidis, que avança e passa para Karagounis; este, chegando no carocinho do abacate deixa para Katsouranis,  que empurra para as quebradas da direita e solta para  Salpingidis, que dribla um, dois, e vai no fundo e cruza – é ripa no chulipa, pimba na gordochinha, é fogo na mulher do guarda, e é gol de cabeça de Christodoulopoulos! Deve ser fogo mesmo narrar um jogo dos helênicos!

Vocês notaram: nós temos uma seleção que chora mais que mulher de malandro – chora na hora do hino à capela; chora quando vê a bandeira de ordem e progresso balançar no mastro; e chora na hora agá – na hora de bater o pênalti, na hora da decisão. E aí, a gente lembra do capitão Dunga nas copas em que o mesmo disputou, com garra, força e gana; a gente lembra também do baixinho Romário, quando este disse antes de começar a copa de 94, ‘esta copa é minha, peixe’. E aí a gente vê o capitão atual Thiago Silva, com cara de bom moço, sentado em cima da bola, chorando e pedindo pra não bater o pênalti – e aí a gente vê o menino Neymar, procurando pela Marquezine ao invés de procurar pela gorduchinha, como diria, o grande narrador esportivo do rádio Osmar Santos.

É Felipão, a Rússia já foi, mas que por aqui o negócio da russo pra caramba, isso tá!


Por Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária

domingo, 29 de junho de 2014

Abençoado seja o terço sagrado do goleiro Vítor nas mãos do Júlio César! - 17º dia de copa;

17º dia de copa;




 “Diz o poeta que o mundo é uma bola: numa temporada o pino fica para baixo, retratando o sombrio outono cujas folhas caem ao chão; noutra, o pino fica para cima, feito primavera em colorido, onde tudo é festa, tudo é alegria. Assim, podemos imaginar o que vivera o goleiro Júlio César nos últimos quatros anos. De um verdadeiro inferno após a derrota para os holandeses na última copa, até às nuvens, ao pegar dois pênaltis que saíram dos pés dos chilenos da terra de Isabel Allende. E muitas vezes a vida é assim: num dia a tempestade toma conta da alma, e noutro, a claridade toma conta de todos os andares.

E o Neymar, hein? Contra o México ele tomou chá de sumiço, e neste último, amarelou todo. Se bem me lembro, é nestas horas complicadas que o grande craque surge do nada e deixa seu nome na história. Se bem que neste último jogo a bela Marquezine estava presente numa das cadeiras do Mineirão, porém, o problema é saber por onde andas a cabeça do Neymar: se na bola em campo, se no belo par de pernas da morena, ou se no próximo capítulo de Em família – não a de Scolari, que é mais conservadora, mas na das oito, que esta é extremamente liberal.

De onda em onda a imprensa esportiva brasileira vem criando suas redações. Primeiro foi a história do hino à capela, depois o apelo à torcida sobre as cantorias na arquibanca a fim de levantar o astral do time, e agora, o que se prega é o tal estado psicológico da garotada, que por serem tão jovens não estariam preparados à tanta pressão em disputar uma copa no próprio terreiro. Balela!

Lembra do que venho dizendo desde a primeira crônica? Bom, o problema da nossa seleção não está em trocar seis por meia dúzia, e sim, no esquema tático inexistente da equipe. O problema não está em trocar o William pelo Oscar, ou o Fernadinho por Paulinho, ou Maicon por Daniel – o problema está na falta de um esquema tático que possa dá sustentação aos homens de frente. Por exemplo: você contou quantas vezes a bola passou na boca do gol só para o Fred empurrar para as redes? Pois, então: nenhuma vez a bola passou por ali, e olha que foram cento e vinte minutos de futebol. Sendo assim, o problema da seleção não é este ou aquele jogador, mas no técnico que há muito tempo está em defasagem.

Cuidado, a turma do Gabriel Garcia Marquez vem aí – e se jogar a mesma bolinha que vem jogando o bicho vai pegar! E nem o terço abençoado do reserva Vitor ajudará o goleiro Julio Cesar a soprar a pelota no travessão.


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Hoje não teve bola rolando, mas teve conjecturas no ar - 16º dia de copa;

16º dia de copa;


“Depois de 15 dias de copa, hoje foi dia de descanso, antes da chegada das oitavas de final que tem início a partir de amanhã, quando as emoções se afloram novamente. Tirando isso, hoje foi dia de conjecturas por parte de comentaristas que querem de qualquer forma escalar a seleção de Felipão. E não é que o carrancudo está quase engolindo os anseios da imprensa? Ao que tudo indica haverá alterações no meio e possivelmente em uma das laterais. Está valendo aquele ditado: água mansa em pedra dura tanto bate até que fura. Agora, vai que... de repente, mais do que de repentemente, o Fernandinho joga contra o próprio patrimônio – goooool... é contra... é de Fernandinho... é do Chile! O jeito será isentar o Scolari por mais uma burrice da mídia esportiva brasileira, depois de tantas outras.




Mas Deus é brasileiro, como diz o outro, embora o Papa seja argentino. Neste caso, valendo-se do Chile apenas dos versos de Neruda, e não sendo estes nossos vizinhos, creio que não haverá misericórdia: os meninos da terra de Drummond irão passar fácil. Mas caso fique pelo caminho, tudo bem, é só mais um jogo de futebol: a vida continua, como imortais são os versos de Neruda e Drummond.

O lamentável da copa até agora, indiferente à mordida do Suárez, bem como, o vexame dos africanos que mais se preocuparam com as contas bancárias do que jogar futebol, foi mesmo aturar a imbecilidade do Galvão Bueno e seu amor eterno e infantil por parte do garoto Neymar. Geralmente, a fim de fugir deste lado torpe galvaniano, ligo o rádio enquanto assisto aos lances pela TV. É gostoso viajar pelas ondas do rádio, pois se o jogo está morno, o rádio refaz a velocidade, como num romance, ao misturar o real à ficção, e no dizer do radialista, a bola passou rente à trave, tirando tinta do poste, embora, bem sabemos pelo replay, que a bola passou tão longe quanto o sertão virou mar. Mas isto faz parte do jogo, faz parte do show!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária



Que venha o ramadan, pois comeremos a bola! 15º dia de copa;

15º dia de copa;


“Caso fosse uma copa de literatura, algumas seleções ainda estariam por aqui. O que equivale dizer que os ingleses, representados por aqui estariam: Shakespeare, Orwell, Austen, Dickens e Keats; também é o caso da Itália, com Dante, Eco e Calvino; e o que dizer da Rússia: Pushkin, Dostoevsky, Tolstoy, Chekhov, Nabokov e Gogol, com um timaço pra ninguém botar defeito; e imagine só Portugal: Camões, Eça, Florbela, Pessoa e Saramago, ao contar com grandes mestres do mundo poético. Porém, este não é o mundo da pena, embora dê grande pena ver vazar mais cedo seleções como a Inglaterra, Itália, Rússia e Portugal. E não creio que foi por causa do calor que faz deste lado do mundo, mas por falta de tática, de craques, de raça e de bola na rede.




E a Argélia, hein! Classificou deixando para trás os coreanos e os russos. A má notícia aos argelinos é a entrada do ramadan, que por ter início no dia 28 de junho, neste sábado, deixará tal selecionado numa fria, pois teus jogadores deverão ficar em jejum até o dia 27 de julho, porém, neste intermédio, eles irão enfrentar a poderosa Alemanha, dia 30, em Porto Alegre. E como correr por noventa minutos de barriga vazia? Simples, nas várzeas brasileiras, já que o Lula não chegou a concretizar o projeto Fome Zero, nossas crianças ainda brincam de bola de manhã, de tarde, e às vezes durante a noite, e geralmente de barriga vazia. Então, não haverá grandes problemas aos bravos argelinos por uma causa tão nobre.

De tanto a mídia berrar em alto e bom som, inclusive a nossa, a dona Fifa resolveu punir o craque uruguaio por tentar morder em campo um jogador italiano; engraçado que não vi nenhum jornalista esportivo brasileiro berrar tal como, quando o Neymar, propositadamente meteu uma cotovelada no croata, ainda no primeiro jogo da copa – dois pesos e duas medidas.  Agora, e se caso o Suárez desse um beijo na boca do mesmo italiano, numa recusa veemente deste ao cair ao solo esbravejadamente com a mão na boca, ‘no quiero tus besos’ – será que o jogador da celeste também seria punido?


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Barrada na escola por vestir o vermelho de Camões, pode Freud? - 14º dia de copa;

14º dia de copa;


“Inicio estas linhas pedindo desculpa a cada um dos meus nobres leitores que estão acompanhando a Copa 2014 mediante estas crônicas, que no conjunto da obra, tem começado desde o primeiro dia deste evento. O motivo da ausência é mais do que nobre: tive que sair do calor infernal do sudeste do estado do Pará a fim de visitar mais uma vez a bela e fria cidade de Goiânia – desta feita, a finalidade foi receber o diploma de Mestre em Letras – Literatura e Crítica Literária, no plenário da Reitoria da PUC Goiás, numa belíssima solenidade presidida pela Profª. Milca Severino Pereira: digno de nota – um momento ímpar. Valeu a pena!




Mas, vamos ao décimo quarto dia de chopa, começando pela invasão argentina na vizinha Porto Alegre, terra de Érico Veríssimo. Revendo a História, já fomos, em tempos idos, invadidos por diversos povos, tais como, os franceses em São Luís do Maranhão, terra de Aluísio de Azevedo, romancista genuinamente naturalista; os holandeses em Recife e Olinda, ambas em Pernambuco, terra do frevo, do rio Capibaribe, tão versificado por João Cabral de Melo Neto em Cão sem plumas. Por argentinos, podemos dizer que foi a primeira, e que invasão, com direito a dois golaços de Messi.

Enquanto isso, no Espírito Santo, que de santo não tem nada, uma menina de 12 anos foi barrada na porta da escola por trajar uma camiseta da terra de Camões, em homenagem ao pai, lusitano de corpo e alma. Segundo a abestada da diretora deste estabelecimento de ensino, a menina não estava de acordo os parâmetros curriculares estabelecidos previamente, na qual, uma das regras seria não vestir camiseta de nenhuma outra seleção, a não ser a canarinho. Particularmente, visto da Holanda, uma por homenagear a laranja mecânica de 74, e outra por ter o mais belo uniforme da copa; visto da Argentina, uma porque nada contra eu tenho com los hermanos, inclusive, adoro tanto, Borges; e caso tivesse uma camisa de cada nação, vestiria uma por dia, e que se foda o olhar atravessado dos ignorantes, pois a copa como evento, não é uma guerra entre homens, mas apenas um grande encontro entre culturas.  


Por Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária

terça-feira, 24 de junho de 2014

De mordida em mordida a Celeste vem chegando! - 13º dia de copa;


13º dia de copa;


“Quem diria: o atacante da Celeste, Luis Suares, após a copa irá estrelar o mais novo filme do Drácula, película baseada no livro do irlandês Bram Stoker, pois, depois da terceira mordida em campo – esta última apresentada no jogo de hoje contra a Azzurra, em Natal, o cara virou celebridade mundial. Pelo jeito, o Drácula contemporâneo tem tudo pra bombar nas telas do cinema, diferentemente da provável punição na qual o mesmo irá receber por parte da Fifa, principalmente de acordo aos comentários parciais tupiniquins – melhor pegar a Celeste sem o novo vampiro, lá pelas tanta.




Tirando o belíssimo exemplo japonês: aquele de retirar o lixo ao final de cada partida –, nada demais apresentou a equipe do sol nascente, sendo novamente desclassificada na primeira fase. Mas fica um consolo: se a Costa Rica, coitada, este ano está dando show, quem sabe na Rússia, onde será o próximo mundial, os meninos dos haicais possam assombrar o mundo. Difícil será encarar o frio da Sibéria.

Esta copa como um grande encontro cultural, antes de tudo, está deixando as suas marcas positivas. Uma delas é a alegria e irreverência tanto da torcida quanto dos jogadores da terra de Gabriel Garcia Marquez, tal qual, o repertório de danças após a gorduchinha beijar a rede. No jogo de hoje, os meninos de Macondo dançaram Thriller, numa bela homenagem ao astro norte-americano Michel Jackson.

Amanhã tem invasão argentina na terra de Moacyr Scliar. O jogo será contra a Nigéria. Porém, com esta bolinha que vem jogando a galera de Borges, é provável que por lá possa pintar uma zebrinha. Cairia até bem, principalmente por salvar os africanos do vexame até agora.


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


Que belo exemplo, hein Neymar?! - 12º dia de copa;

12º dia de copa;


“Sem paixões ou pátria de chuteiras – uma coisa é certa: enquanto o hino nacional brasileiro é tocado em sua primeira parte, uma beleza; porém, quando chega a hora do hino à capela é uma merda! Talvez seja por isso que muitos concordam que a disciplina de Música deveria ser obrigatória em nossas escolas públicas.
Quem sabe um dia a gente chega lá com relação a este quesito, porém, antes disso, melhor seguir o exemplo dos samurais: recolher o nosso próprio lixo, pois é melhor do que cantar hino à capela sabendo-se que o trovador irá fazer de tudo pra forjar algumas notas em branco pra enganar o leão. Tudo bem, isso é Brasil!

Em Sampa, terra da garoa, de Mário e Oswald de Andrade, a Holanda descansou, brincou e guardou dois quando quis – não deu para os meninos de Neruda, que agora aguarda os canarinhos. Mais uma bela partida do craque da copa 2014, Robben, o melhor até agora disparado deste mundial.

Agora, você viu lá o belo exemplo do mimado Neymar, o cai-cai canarinho? Pois é: o sujeito saiu direto pro banco com cara de menino malcriado que nunca levou umas palmadas na bunda – deveria ter levado; porém, o próprio pai enganou o fisco, o Santos, quanto mais o filho  –, e ao sair, o cara nem foi lá cumprimentar o outro: que belo exemplo este, hein? Tirem as crianças da sala.




Pra terminar, quem foi o abestado mesmo que convidou Camarões a participar desta copa? Uns gostam na moqueca, eu, porém, adoro empanado. Quanto ao time: não passa de um belo conjunto de várzea.


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Vai que... É melhor não contar com ovo no cu da galinha! - 11º dia de copa;

11º dia de copa;

“Fiquei extremamente encantado com o espírito de sabedoria do ex presidente Lula, quando este proferiu na tarde de ontem que os ingleses só foram desclassificados pelo excesso de qualidade das arenas brasileiras, pois, ‘É a primeira vez que uma equipe de futebol perde por excesso de qualidade dos nossos estádios. A Inglaterra não estava acostumada a jogar em um campo da qualidade dos que temos aqui’, palavras do barbudo. Aí, eu fico pensando cá com os meus botões: que caninha seria esta a ponto de produzir tão requintado comentário? Uma coisa é certa: dos gerais de Guimarães Rosa é que não é.

A turma de Cervantes já está com o bilhete no bolso, bem como, a rapaziada de Shakespeare. E quem foi salvo pelo gongo, no apagar das luzes lá na terra de Milton Hatoum foram nossos irmãos de língua. Que pena dá de ver o craque Cristiano Ronaldo fazendo o papel de uma andorinha só não faz verão. Enquanto isso, na sala de justiça, a Costa Rica é só alegria. Parece até que são baianos.

Bom, amanhã o Brasil já entra em campo podendo escolher o seu adversário da próxima fase. Só tem que tomar cuidado com os africanos, pois os caras não estão bem na foto do outro lado do Atlântico, e vai que, de repente mais que de repentemente eles resolvam fazer bonito pra chegar em paz em casa?




Por Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária

domingo, 22 de junho de 2014

Dê-lhe uma boa vaia e ele faz milagres aos borbotões! - 10º dia de copa;

10º dia de copa;


“Um dos legados desta copa, entre muitos, é educar o povo brasileiro, quando este estiver nos estádios durante o retorno do campeonato nacional, sobretudo, em relação à briga entre torcidas, pois não há nenhum cabimento você matar o próximo simplesmente porque este esteja trajando uma camisa contrária às suas paixões esportivas.

Há algo em comum entre a seleção brasileira e argentina: as duas têm que procurar observar que futebol é um esporte coletivo, diferentemente do xadrez, do tênis e da lunática prova do Enem, se bem que, esta última, algumas vezes são realizadas em dupla. Enquanto a família Scolari entrar em campo apenas esperando um lampejo do garoto Neymar, bem como, los hermanos esperarem pela genialidade do Messi, estas duas seleções irão ficar a desejar. Vejamos 70: não havia somente Pelé, no entanto, Rivelino, Tostão, Jairzinho, Gerson, Clodoaldo, ou seja, uma constelação em campo.

Bonito de ver: de um lado, Kevin-Prince Boateng de Gana, e do outro, Jérôme Boateng da Alemanha; dois irmãos por parte de pai, este africano, e mães alemãs, vestindo cores opostas em campo. Esta não foi a única vez que isso aconteceu, pois na última copa os dois já haviam travado tal encontro, sendo vencido pelos amantes da cerveja e salsichão.




Agora, a nossa mídia esportiva é tão farta de criatividade, dá gosto de ver: primeiro foi propagar a cantoria do hino à capela, como se hino ganhasse jogo; no momento, chamar atenção ao grito desanimado da torcida brasileira, como se fosse Dodô e Osmar ao passar nas ruas de Salvador carregando a multidão. A história tem demonstrado que não é bem assim; futebol se ganha com esquema tático bem definido, do arqueiro ao ponta-esquerdo. E até agora, o técnico que levou o Palmeiras à segunda divisão, e como prêmio fora convidado com honras e glórias a vestir à amarelinha, não apresentou uma tática aos nossos olhos. E assim será até o final. E se ganharmos, é porque Deus é brasileiro, embora o Papa seja nosso hermano.

Pra encerrar, chega de mandinga, pois isso não rola em matéria de futebol: a torcida brasileira torce contra o Messi, e o cara guarda dois, o primeiro no Maracanã, e agora no Mineirão; torce contra o Klose, e o cara mete um no primeiro toque de bola, deixando furioso a alma apaixonada e tola do Galvão Bueno – que queria muito que o recorde do Ronaldo se eternizasse isoladamente. Vou torcer pro alemão meter mais!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


sábado, 21 de junho de 2014

Salvador é doce, meu rei! - 9º dia de copa;

9º dia de copa;


“Quem disse que a Costa Rica é a zebra da copa? O fato desta seleção obter duas vitórias consecutivas, sobre dois países, que juntos somam seis títulos mundiais, como no caso, Uruguai e Itália, é apenas não admitir o despreparo em relação às observações na qual a mídia esportiva brasileira deveria se situar. Porém, se os jornalistas brasileiros ao invés de ficar penteando o cabelo cada vez mais ridículo do Neymar, bem como, ficar beijando as arrogâncias do Felipão, estivessem antenados seis meses antes com a tática de cada um dos selecionados que aqui estão, não haveria hoje necessidade de dizer que nossa mídia esportiva brasileira levou toco, comeu mosca, e que deveria humildemente procurar se reciclar, renovar os conceitos, pois ainda estão na época do Maracanazzo. Hei, acorda!

Já diz o ditado baiano: ‘Salvador é doce, meu rei!”. Pois, sim. Nesta copa a capital baiana, terra de Gregório de Matos – o boca do inferno –, tem deixado certos torcedores em plena alegria na alma; foi o caso dos holandeses, alemães e agora, franceses, estes que meteram um chocolate baiano em cima dos suíços. Cuidado com a França! Bom, Caymmi já dissera: ‘É doce morrer no mar’; e no caso de Salvador, num mar de fonte nova.

Agora! Encantado mesmo eu fiquei ao ouvir a narração de um locutor espanhol no momento do apito final do último jogo no Maracanã. O cara agradeceu fervorosamente a todos os jogadores que vestiram o uniforme espanhol, referenciando os dois títulos europeus, bem como, o último mundial, tudo isso num período de quatro anos, não esquecendo inclusive do técnico Luis Aragonés, falecido ainda este ano. Bonito de vê – um legado a mais para nós brasileiros, que ficamos a todo instante berrando ‘É hexa!’, como se isto fosse a luz no fim do túnel.




Pra terminar, fica aqui a referência a outro belo legado, este agora advindo das mãos dos jovens da terra do sol nascente, quando estes, no fim de cada partida, cata tudo quanto é lixo produzido por eles durante o evento. Ao ser indagada sobre o fato, uma jovem japonesa respondeu assim: ‘Isso em nossa terra é algo comum, seja na escola, na praça, no cinema, no teatro, ou num campo de futebol; fomos educados assim’.
Por essas e outras que costumo divulgar que a copa do mundo no Brasil, por ser um grande encontro entre culturas, também pode ser uma grande aula cultural, é só reparar!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


quinta-feira, 19 de junho de 2014

E viva a Colômbia: desta vez sem pó e Valderrama - 8º dia de copa;


7º dia de copa;


“Corinthiano é bicho esquisito mesmo. Imagine só berrar ‘timão, timão’, durante um clássico de futebol mundial entre Uruguai x Inglaterra na terra da garoa – na famosa Sampa de Caetano. É muita falta de juízo; bom, quem disse que corinthiano tem juízo – corinthiano tem paixão; fiel até aos mais bizarros momentos – como aqueles produzidos no Itaquerão na tarde de hoje na maior cara de pau, meu!  

Em Brasília, antes disso, solo sagrado que contém o mais belo por do sol brasileiro, tivemos uma invasão colombiana. Até deu pra notar alguém na arquibanca lendo algumas páginas de “Cem anos de solidão”, do aclamado Gabriel Garcia Marquez. E viva a Colômbia: desta vez sem pó e Valderrama; este último, o seu maior craque de futebol, já o primeiro, a maldição da América Latina.




Agora, cá com os meus botões, fico pensando, de acordo com as emoções atribuídas à torcida brasileira,  quais seriam as seleções a ficar nas semifinais juntamente com a família Scolari – Costa Rica, Irã, Austrália? – é muita pobreza de espírito. Quero vê Brasil x Holanda, x Itália, x França, e até mesmo com os nossos mais agraciados amigos da terra de Maradona.

Pra terminar, bem baixinho, só pra gente: este negócio de falar que o Zico foi lá pra terra do sol nascente e ensinou aquele povo a jogar futebol, ou é uma piada, ou falta de conhecimento de quem costuma dizer tal asneira, ou muita hipocrisia por parte de vascaíno, pois o futebol do Japão continua do mesmo jeito da época dos samurais – tão burocrático quanto os ares e males advindos de Brasília. Negócio de japonês é robótica e não ‘joga la pelota’, isso já é coisa pra ocidental.”


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária



quarta-feira, 18 de junho de 2014

E agora, que faço eu da vida sem você? - 7º dia de copa;

7º dia de copa;


“O que passa na cabeça do sujeito ao vaiar o brasileiro Diego Costa, quando este veste a camisa espanhola? Engraçado, eu não vi ninguém vaiando o Felipão quando o mesmo vestira de corpo e alma a camisa lusitana, seria o bigode? Pois já versava Drummond, ‘O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Têm poucos, raros amigos’, porém, pelo jeito, o nosso carrancudo tem muitos amigos, talvez até mais se levantar o caneco, ou até menos se tiver alguma pedra no meio do caminho.

Uma coisa é certa: a seleção camaronesa é uma escola de samba do terceiro grupo – os caras só pensam em ‘bicho’, em grana, money, mas futebol que é bom... E sendo assim, após a goleada da Croácia sobre eles, só resta admitir que na segunda vai pintar uma nova goleada – será? Ou vai ter moqueca de camarões ou vai sangrar a galinha caipira da vizinha.

E a laranja mecânica, hein? Vai mui bem, obrigado! Desta vez foi a turma da terra dos cangurus, embora tivesse estes, o apoio canarinho nas arquibancadas, mas como torcida não ganha jogo, deu Holanda novamente. Que beleza!




Foram quatro anos de hegemonia total e irrestrita. Como escrevera Mauro Beting, a Espanha de Xavi e Iniesta ensinou o mundo a jogar futebol com a bola nos pés, porém, esqueceu de jogar como a própria Espanha, mesmo assim, os amantes da arte do futebol agradece esta geração espanhola, pois como dissera Vinícius, ‘Que não seja imortal, posto que é chama,Mas que seja infinito enquanto dure’; e infinito foi pela beleza de reavivar o futebol no mundo, pois para vencer os ibéricos, o mundo teve que se renovar.”


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


terça-feira, 17 de junho de 2014

Quem disse que hino à capela ganha jogo? - 6º dia de copa;

6º dia de copa;



Engraçado, a torcida brasileira já entra no estádio a fim de torcer para o time mais fraco. Assim foi no Mineirão, ao torcer para a Argélia contra a Bélgica: hilário, até demais pro meu gosto! Vai gostar de sofrer assim nas urnas!

Agora, por que será que a mídia esportiva brasileira não mete o cacete no Felipão, assim como fizera com o Dunga? Pois essa família Scolari nada mais é do que um amontoado de meninos almofadinhas trajados de canarinhos: não há nenhuma tática em campo – a solicitação é a seguinte: dê a bola ao cai-cai do Neymar pra vê o que acontece; ou mete pro Fred que ele deita na área; mais nada, além disso!



Mas, cá pra nós, bem baixinho - aquele negócio de colocar o Hulk no banco foi mutreta pura; algo que só se faz na política brasileira, e de vez em quando no futebol. Pois, como o jogo era no nordeste, e o Felipão queria mais um no meio, melhor seria inventar que o paraibano estaria machucado, utilizando o Ramires: a torcida engoliu, a mídia também, porém, eu, assino tal teoria da conspiração. 

Enquanto isso, continua nas redes sociais a polêmica sobre quem pariu a cantoria do hino nacional à capela. Melhor seria contabilizar quanto o torcedor está pagando de impostos por um lanche de alface nas arenas brasileiras – quem sabe uma parte não está indo pro barbudo comprar mais uma bela fazenda no sudeste do Pará. Esse vai cara longe: de metalúrgico ao maior latifundiário das Américas.  

Agora, se for pra copiar certas manias de outros povos, como por exemplo, o que fez a torcida brasileira no Castelão, ao copiar a torcida mexicana quando o arqueiro bate o tiro de meta, com palavras de baixo-calão, melhor seria copiar os franceses em matéria de leitura, ou quem sabe os indianos, ou iranianos, ou japoneses. Já pensou? Rapidamente iríamos fazer desta nação uma casa de leitores!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Quem foi mesmo que pariu o hino à capela - 5º dia de copa;

5º dia de copa;

“Já versava Dorival Caymmi, ‘Você já foi a Bahia, nega? Não, então vá, então vá, então vá’, pois bem, na terra da felicidade, como descrevera Ary Barroso, holandeses e alemães fizeram carnaval fora de época – e haja loira gelada a fim de parar a alegria destes povos nada frios em Terra de Vera Cruz – é uma goleada após a outra. E viva a Bahia, pois em se plantando tudo dá.




Agora o que não dá mesmo pra engolir é essa aversão que certos brasileiros têm em relação à terra adorável de Camões, Eça, Florbela, Pessoa e Saramago, pois o que houve de ‘chupa aí Portugal’, postado por tupiniquins não foi brincadeira, e até vaias para o craque Cristiano Ronaldo. Ora, pois! Agora, o animal passa a vida toda vendo só pela TV o craque português, e quando chega tal oportunidade, ao vivo e a cores, olha o que ele faz? É brincadeira – coisa de brasileiro!




E pra fechar, ainda tem gente comentando e discutindo sobre qual seria a regionalidade que pariu a tão aclamada capela do hino nacional. E o engraçado é que o mesmo sujeito que cantarola a capela antes do jogo, muitas vezes é o mesmo que sonega impostos, avança o sinal de trânsito, fura todas as filas, curte filme americano, adora sentar no sofá de frente ao Faustão, e ainda é fã incondicional do Galvão Bueno, pode Freud?


Por Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária

domingo, 15 de junho de 2014

Quem realmente é mais pé frio, o ícone do rock inglês Mick Jagger ou a torcida brasileira? - 4º dia de copa;

4º dia de copa;




“Pontualmente, a seleção suíça chegou ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília, afinal, são eles que produzem os melhores ponteiros do mundo, ou produziam, pois quase não vejo alguém com relógio no pulso. E por falar em ponteiro, este estádio recebe tal nome em homenagem ao maior ponteiro direito de todos os tempos, que bem poderia ser homenageado em vida. Ainda em relação aos meninos dos Alpes, ‘chocolate neles’ – justamente, a Suíça venceu com autoridade os equatorianos – logo a danada da Suíça que gosta de um empatizinho sem-vergonha nas copas, mas também adoram chocolates.

E não é que brasileiro adora sofrer. Vejamos: contra a França na Arena Beira Rio em Porto Alegre, terra do grande poeta Mário Quintana: a torcida torceu fervorosamente para Honduras, e o narrador ainda teve a cara de pau de dizer que assim eles estavam torcendo pelo motivo da proximidade com os latinos da América Central. Bom, então por que este mesmo povo não haveria de torcer para los hermanos, nossos mui amigos da fronteira? Quero ver alguém torcer para o mais fraco nas eleições...

E por falar em nossos queridos vizinhos quase europeus, da terra de Borges e Cortázar, dá gosto de ver Messi, Di Maria & Cia, e o que não dá é pra torcer contra a arte: viu só aquele golaço de Messi? Loucura, loucura, loucura.  E como a minha grande final seria Argentina x Brasil,  no Maracanã, não posso torcer contras los hermanos, pois quero tango em Copacabana, e quem sabe vê o Corcovado de azul e branco, e que vença o melhor.

Agora, retornando ao título – Quem realmente é mais pé frio, o ícone do rock inglês Mick Jagger ou a torcida brasileira? Sabe de uma coisa, ainda estou com uma grande dúvida!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária

sábado, 14 de junho de 2014

E agora, Lugano? - 3º dia da copa;


3º dia de copa;



“Sabe aquele sujeito que fez o Maracanã chorar em 50? Justamente, Ghiggia é o nome dele. Pois bem, estava ele hoje à tarde a parafrasear Drummond, ‘E agora, Lugano? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Tabares? E agora, você?”, isso logo após a bela vitória da Costa Rica sobre o Uruguai em pleno Mineiraço. Ou seja, mais uma vez a mídia esportiva brasileira tomou toco.

Agora, uma coisa é certa – este negócio do roqueiro inglês Mick Jagger twittar ‘Vai, Inglaterra!’, pelo jeito não será mais aceito na terra da rainha, pois o cara é um pé frio daqueles – é só ele levantar a bandeira que o English Team leva um vareio, e desta vez foi para a Azzurra, no mormaço da Amazônia.

E quem diria – o palmeirense Armero, lembra dele? Marcou um dos gols da Colômbia, e olha que a torcida do porco cansou de xingar o cara lá da arquibancada. Pois, bem, ele foi, só que agora está na copa fazendo bonito, e o Palmeiras continua procurando um lateral esquerdo até hoje.

Agora, é brincadeira colocar os nanicos samurais da terra do sol nascente pra brigar com aqueles crioulos avantajados da Costa do Marfim. Não deu outra!


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária

O dia em que a mídia tomou sopa holandesa na terra do acarajé - 2º dia de copa


2º dia de copa;





“Uma coisa temos que admitir: grande parte daqueles que vaiaram o jogador Diego Costa durante todo o jogo, são os mesmos que ouvem dia e noite a musicalidade americana, tendo em si, aversão ao cinema brasileiro; já a outra parte, costumam ouvir um tal de ‘lepo, lepo’, 25 horas por dia. Agora, convenhamos, o Diego Costa é brasileiro, sim, que talvez até tenha estudado arte cênica com Fred, pois o modo como ele desabou na grande área já fora visualizada um dia anterior em Itaquera.

Mas o bom de tudo isso foi o Showcolate holandês em plena terra do acarajé. Seria este o ano da laranja mecânica? E o melhor ainda foi a sopa que levou a mídia esportiva brasileira, aliás, é normal a mídia esportiva brasileira levar sopa em matéria de futebol.

De resto, ficou claro que o México vai dar trabalho; que a Austrália é continua sendo um grande saco de pancada; e que os camaroneses deveriam se preocupar menos com o bicho e mais com a bola, e que se continuar assim, os amigos de Eto não irão tomar nenhuma caninha, pois não haverá dancinha etoriana em solo brasileiro.

O bom de tudo neste segundo dia de copa do mundo foi a fala do pai daquele garoto meio leso, meio bobo, meio tosco, de classe média, ao dizer ao filho que manifestação se faz de cara limpa, e não mascarado em forma de bandido nas ruas – digno de nota, num exemplo que deveria ser seguido à risca por outros pais.


Por Robson Luiz Veiga
Mestre em Literatura e Crítica Literária


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Meteram a mão na Croácia - 1º dia de copa!

1º dia de copa;




“Por um lado, tivemos neste primeiro dia de Copa 2014, além de um grupinho de lunáticos dos PSTU, PSOL, e outros canhotos, fazendo um carnaval fora de época a cinco quilômetros da Arena Corinthians, que na verdade é Arena Itaquera, uma encenação do avante Freud, que desta vez não marcou gol sentado ou deitado, mas deitou-se no gramado, e como japonês tem um par de olhos  não muito largos, viu aquilo que ninguém mais viu no planeta terra, que por sinal, eram um bilhão de pessoas ligados na terra da garoa.

Por outro lado, quando a imagem da dona Dilma foi retratada no telão do estádio, oitenta por cento daqueles que pagaram alto pra ali estar, ou que receberam de mão beijada o convite, entoaram uma grande vaia, tendo por acompanhamento palavras de baixo calão, como por exemplo, “Ei, Dilma, vai tomar suco de chuchu”.

O engraçado nisso tudo é que os mesmos que torceram com a marcação de um pênalti não existente, foram os mesmos a vaiar nossa nobre presidenta, numa incoerência típica da sociedade brasileira, que desde 70, gosta de levar vantagem em tudo.

O lado bom das coisas fica por conta de um taxista que percebendo que um grupo de turistas havia esquecido um pacote de ingressos em teu carro, resolveu depois retornar ao hotel, devolvendo todos os tickets, em algo que deveria ser reverenciado de norte a sul em terras brasileiras.


Por Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária





quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Copa na Sala de Aula





Longe dos protestos, da forma como estes estão sendo realizados, pois creio que o melhor modo de um povo protestar em valentia em relação aos desmandos, desgovernos, bem como, às mazelas que se instituem no cotidiano, é a sagrada urna eleitoral, no mais, creio eu ser tais passeatas, já programadas, sobretudo por partidos políticos e sindicatos, apenas como um carnaval fora de época, tipicamente brasileiro.

Pois bem, de olho no maior evento do planeta, prestes a começar, dei início em, sala de aula ao projeto educacional – A Copa na Sala de Leitura, cujo objetivo é levar ao quadrado estudantil um pouco da poesia dos 32 países que irão disputar a Copa do Mundo da Fifa 2014 no Brasil, num grande encontro de culturas, artes e poéticas.

É fato que antes mesmo de a bola rolar, as emissoras de televisão, numa disputa frenética, antes de cada partida, procuram deixar na telinha à disposição do telespectador, uma verdadeira aula de cultura dos países envolvidos, dimensionando os aspectos geográficos, históricos, sociais e econômicos, artísticos e linguísticos, algo impossível de ser realizado numa tarde de aula em nossas escolas brasileiras, tão carentes normalmente em matéria de arte e cultura.

Pensando nisso, antes mesmo do pontapé inicial, estamos levando pra sala de aula um pouco de Borges e Neruda, representando respectivamente a Argentina e o Chile; uma resenha de Cem anos de solidão, do aclamado colombiano Gabriel Garcia Márquez, bem como um dos seus belos contos; a poesia do mexicano Octávio Paz e a magia de Edgar Allan Poe, no subir da América; e como não poderia faltar, um pouco de Camões e Pessoa advindos da terra de Saramago; a resenha do clássico espanhol Dom Quixote de Miguel de Cervantes, e a beleza lírica dos versos dramáticos do inglês William Shakespeare, assim como, um pouco de prosa russa através das linhas do romancista Fiódor Dostoiévski, tendo por acompanhamento exemplar a resenha do aclamado Os Irmãos Karamazov, depois de passarmos pelas linhas de Baudelaire e Goethe, representantes, francês o primeiro, e alemão, o outro. E como passeio poético em referência à Copa do Mundo, não poderia faltar na sala de aula a acidez dos versos africanos, a beleza da poesia australiana de origem aborígene, e os belos haicais de Leminiski em homenagem à terra do sol nascente.

Acreditando que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, nada melhor que incentivar o hábito da leitura aos nossos jovens estudantes do ensino fundamental com o que há de melhor em matéria de poesia oriunda de todos os continentes, mesmo sendo ela incomunicável em sua essência, como diria Drummond, mas existencial, como o tempo, tais quais os versos de Cecília Meirelles.


Robson Luiz Veiga

Mestre em Literatura e Crítica Literária PUC Goiás



Obs: este projeto educacional é realizado pelo Profº. Robson Luiz Veiga na EMEF Dom Pedro I em Rondon do Pará, sudeste do Estado do Pará.