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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

leitura: um vício que alimenta a alma!

De repente, a cidade de Goiânia, que tinha a cor e a suavidade de menina pacata, se torna rebelde e se alucina em meio a caminhonetes frenéticas que rodam a todo vapor transportando em suas traseiras uma infinidade de caixas sonoras... Poxa, cara! Estamos em pleno século vinte e um, era dos chips, dos micros, das minuciosidades, e vem você rodando o seu carango ruas a fora, poluído o ambiente como se todo mundo fosse obrigado a engolir pelos ouvidos toda mediocridade que rola no teu som... Será que estamos retornando a idade da pedra¿ Para isso, é claro, criaram o headfone, justamente para que ninguém deixe transparecer a vontade de usar uma melancia na cabeça. Mas tudo bem! Estamos na era do consumismo, e apesar do Brasil ser penta, ainda estamos em penúltimo lugar em matéria de leitura e interpretação de pequenos textos. Porém, quanta a esta barbárie, a prefeitura municipal até que poderia criar um lugar específico para que o sujeito que queira ouvir a sua música acima dos decibéis permitidos por lei, possa atuar. Quem sabe criar um “sombódromo”, bem longe do centro urbano – longe das pessoas civilizadas, é claro! No entanto, eu tenho uma ideia até mais sábia. Como o cara tem uma certa cultura inferiorizada, justamente por falta de leitura, vamos a uma dica para que ele possa ouvir mansamente uma sinfonia de Beethoven acompanhado por um belíssimo romance em mãos. Que tal “a sombra do vento”, do espanhol Carlos Zafon. Fico até arrepiado ao citar este livro. Sabe aquelas narrativas que te prendem¿ Justamente! Embora o livro tenha mais de quatrocentas páginas, você não passa pro outro dia sem deixar de chegar à última linha. É uma verdadeira viagem ao mundo mágico das letras. Daquelas que a gente fica entre plumas, arrebatado pelo poder da literatura. E, em se tratando de viagem, ao ler o livro você estará embarcando na cidade de Barcelona da metade do século vinte, durante a ditadura franquista, nos calcanhares do modernismo e o pós segunda guerra mundial. O caro leitor conhecerá o jovem Daniel Sempere, o protagonista da trama, que ao completar onze anos, recebe do pai como presente, uma visita ao cemitério dos livros esquecidos - um lugar misterioso e labiríntico que fica no coração da cidade de Barcelona - uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá, que o garoto encontra um exemplar de A Sombra do Vento, do também barcelonês Julián Carax. Não somente um exemplar, mas talvez o último dos exemplares, pois misteriosamente alguém estar a queimar todos os outros exemplares. Assim, o nosso personagem principal deverá descobrir todos os mistérios que envolve tal livro, assim como a história de seu autor. Ou seja, é um romance dentro de outro romance. Uma coisa é certa. Após a leitura desta narrativa fascinante, você será um novo leitor: voraz – capaz de correr à biblioteca mais próxima e desvendar através das linhas do próximo livro, toda magia que percorre no limiar de uma boa narrativa. Agora, meu caro leitor. Quanto a isso, não há remédio que possa remediar a sua sede em viajar por novas histórias. A diferença entre outros vícios, é que este, a leitura, alimenta a alma.