Quando o poder público faz a sua parte, contribuindo para o bem estar da
sociedade, através da entrada de recurso
oriundo do bolso de cada contribuinte, temos também que enaltecer o trabalho
realizado, numa crítica positiva, da mesma forma quando o poder público pisa na
bola, tecemos severas críticas com o teor altamente negativo.

Assim, me pus a caminhar, todas as noites em direção a este privilegiado
espaço urbano, no centro da capital do cerrado; sempre contendo em minhas mãos
um bom livro. Desta feita, comecei pelos clássicos, afinal, o clima, o espaço e
o tempo favoreciam tal leitura – sem barulho, sem poluição, e uma luminosidade
feito dia.
Nas noites de terças e quintas, por indicação do professor Éris Antonio
Oliveira, Dr. em Literatura e docente do curso de Mestrado em Letras pela PUC
Goiás, comecei a minha maratona literária ao sabor da lua, com o belíssimo
romance pós-modernista Avalovara, de Osman Lins, que anteriormente, pelo nome,
pensara ser um daqueles time de futebol do campeonato espanhol. Mas o nome de
pássaro era um livro. Um inquietante livro. Com uma linguagem estranha que até
pensei em parar na primeira página e tomar um sorvete com as sutilezas do
cerrado. Vai um sorvete de pequi aí? Porém, havia se passado o tempo das
narrativas retilíneas e caudalosas, agora, o buraco era mais em baixo, era
tempo de narrativas labirínticas, esquisitas, espirais, pós-modernas,
narrativas sem pé nem cabeça, cuja norma é está fora da norma, fora da moda, se
entregando de corpo e alma ao sabor da linguagem em desconstrução, como Avalovara.
Já nas quartas e sextas, por indicação do professor Paulo Petronílio, Dr.
em Educação, docente na área de Letras pela UNB de Brasília, coloquei entre os
meus dedos o romance Grande sertão veredas de Guimarães Rosa, um clássico da
literatura brasileira pós-modernista, considerados por muitos como o livro dos
livros, o clássico dos clássicos, o passaporte aos céus... o mundo de Riobaldo
e Diadorim, uma viagem às sutilezas da linguagem.
Como são duas narrativas encerradas em outro patamar literário, distante
do mundo ficcional das narrativas tradicionais, “vou deixando a vida me levar”
vagarosamente no seio deste outro mundo, sem pressa de chegar à última página,
me contentando em ser carregado por uma linguagem levada, diferenciada, regada
a várias outras possibilidades em caminhos labirínticos que só o tempo é capaz
de socorrer o leitor.
Por isso, vou sem pressa, na calmaria dos ventos e na brisa das noites,
sentado num banco da praça entre árvores, amores que passam e a lua a me
espiar. Ora o outra, num outro banco, uma leitura em outras mãos, às vezes,
conversas ao vento, em outras, casais a sussurrar, enquanto isso, vou viajando
nas curvas sinuosas do mundo mágico das letras.
E você, caro leitor, está o quê, nas noites frias que se seguem no
velejar da primavera?
Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura