
Pois, imagine uma criança ao lado de um adulto, tendo em sua volta um mundo com todos os seus contornos e coloridos – perguntas hão de surgir... e surgem! Mas, as respostas a tantas indagações não chegam a caminhar na mesma estrada, daí, o filosofar parece inevitável, pois aos olhos das crianças, perguntas nascem daquilo talvez que para o adulto seja o nada, ou às vezes o impensável ou inquestionável.
Desde quando abrimos os olhos, e passamos a sentir o mundo em toda sua completude, perguntas hão de surgir, e daí, porque não tratá-las em sala de aula desde a infância com as devidas invertidas que elas merecem. Mas logo surge o “não”, bem normal em bancos escolares do ensino fundamental e médio. Talvez porque as próprias escolas em seus sistemas educacionais caducos estão à margem da contemporaneidade, feito locomotiva que ainda caminha em trilhos bambos sem saber o destino da última parada, pois as locomotivas a vapor não rodam mais.
E quanto ao discurso, ainda em criança – o que importa são os questionamentos, as observações, as constâncias de lacunas abertas deixadas pelas inquietações sumárias sugeridas pelo cotidiano. Porém, a escola embebida pela musicalidade em notas frias do medieval, empurra as indagações ao devir. E aí, é onde mora o perigo, pois sem a filosofia e a poética, crescemos atrelados aos dogmas que a sociedade no vindouro não conseguirá responder, e assim como as doces palavras do poeta maior, “há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons”, ao chegar à época das desconfianças, lançamos os marinheiros ao mar, “sem lenço e sem documento”, e também sem vela a velejar.
E, ai do homem que procura respostas em quadrados sem portas e janelas. Furamos o teto, ou saímos pelo subsolo? Melhor seria educarmos nossas crianças no jardim – de cara pro vento, à sombra de uma castanheira, sem temer as indagações pueris, a vontade do filosofar, do cantar de versos, de repassar os dados e deixar rolar as palavras em círculos, mesmo que tais círculos não sejam circulares aos extremos, pois, quando a palavra toma conta do dia, até a noite pede licença para chegar um pouco mais, como se fosse verão o tempo do discurso em filosofar e poetizar.
Robson Veiga
publicado no jornal da manhã - goiania - dia 29 de junho de 2011